IFRS S2

Flávio UbCarbon • 19 de março de 2026

IFRS S2: por que sua empresa precisa olhar para a cadeia de valor agora

IFRS S2 - Cadeia de valor

IFRS S2: por que sua empresa precisa olhar para a cadeia de valor agora

Se você tem acompanhado o mercado de capitais, provavelmente já ouviu falar do IFRS S2.

Mas ainda existe muita dúvida — e principalmente uma percepção equivocada — sobre o que realmente muda com essa nova norma.

A maioria das empresas ainda enxerga o IFRS S2 como um novo relatório de sustentabilidade.
Na prática, ele é muito mais do que isso.


O que é o IFRS S2, na prática?

O IFRS S2 é uma norma internacional que orienta como empresas devem divulgar riscos e oportunidades relacionados ao clima — mas com um detalhe importante:

Essas informações precisam estar conectadas ao desempenho financeiro.

Ou seja, não se trata apenas de falar sobre sustentabilidade.

Trata-se de mostrar, com dados, como o clima pode impactar receita, custos, ativos e o futuro do negócio.

Além disso, a norma exige a divulgação de emissões de gases de efeito estufa, incluindo os chamados Escopos 1, 2 e 3

E é exatamente aqui que começa o verdadeiro desafio.


Quando isso passa a ser obrigatório?

No Brasil, o IFRS S2 segue um cronograma claro:

  • até 2025: adoção voluntária
  • a partir de 2026: início da obrigatoriedade
  • 2027: primeiro reporte obrigatório

Isso significa que o mercado ainda está em fase de preparação.

Mas existe um ponto importante:

                 A coleta de dados começa antes do reporte.

E esse processo leva tempo.


O ponto que muda tudo: a cadeia de valor

Aqui está o aspecto mais relevante — e menos compreendido — do IFRS S2.

A norma não olha apenas para dentro da empresa.

Ela exige uma visão completa da cadeia de valor.

Isso inclui:

  • fornecedores
  • transporte
  • uso do produto
  • descarte

Ou seja, todas as emissões indiretas que acontecem fora do controle direto da empresa — conhecidas como Escopo 3

Na prática, isso significa que:

       Uma parte significativa do impacto climático de uma empresa está fora dela.


E mais do que isso:

      Essas emissões são as mais difíceis de medir, justamente por dependerem de terceiros


Por que isso é tão desafiador?

Porque a maioria das empresas ainda não tem estrutura para isso.

Hoje, o cenário é bastante comum:

  • fornecedores sem inventário de emissões
  • dados inexistentes ou estimados
  • falta de padronização
  • baixa rastreabilidade

E o próprio mercado já reconhece isso:

 Mapear emissões da cadeia de valor é o maior desafio para atender ao IFRS S2


O efeito em cadeia que já começou

Mesmo que sua empresa não seja obrigada a reportar IFRS S2 agora, isso não significa que você não será impactado.

Empresas maiores, que precisam reportar, começam a exigir dados de seus fornecedores.

E isso cria um efeito em cascata:

  • grandes empresas → cobram dados
  • fornecedores → precisam se adaptar
  • toda a cadeia → passa a ser impactada

Na prática, o IFRS S2 não atinge apenas empresas listadas.

Ele reorganiza cadeias produtivas inteiras.


O que as empresas precisam fazer agora?

A preparação não começa no relatório.

Ela começa com organização de dados.

E principalmente com entendimento da cadeia de valor.

Os primeiros passos são mais simples do que parecem:

  • entender onde estão os principais impactos
  • estruturar inventários de emissões
  • começar a olhar para fornecedores
  • melhorar a qualidade dos dados disponíveis

Sem isso, não existe base para atender ao IFRS S2.


Mais do que obrigação, uma mudança de lógica

O IFRS S2 traz uma mudança importante:

As empresas deixam de olhar apenas para sua operação direta
e passam a ser responsáveis por entender o impacto de toda a sua cadeia.

Isso muda a forma de gerir risco, de tomar decisão e até de acessar capital.


E por que isso exige atenção agora?

Porque 2026 não é o início do problema.

É o prazo final para quem não começou.

Empresas que deixarem para se estruturar apenas quando a obrigatoriedade entrar em vigor vão enfrentar:

  • falta de dados
  • baixa qualidade de informação
  • dificuldades de auditoria
  • pressão do mercado

Enquanto isso, quem começa antes:

  • ganha tempo
  • organiza sua cadeia
  • constrói vantagem competitiva



Um ponto final para refletir

O IFRS S2 não começa no relatório.

Ele começa com uma pergunta simples:

    Sua empresa conhece, de fato, o impacto da sua cadeia de valor?


Se a resposta ainda não for clara, esse é o melhor momento para começar.

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