Acordo Mercosul–UE
Mercosul–União Europeia: o impacto do acordo nas exigências climáticas das empresas brasileiras
Acordo Mercosul–União Europeia
Por que Sustentabilidade e Clima se Tornaram Fatores Decisivos para Empresas Brasileiras
A assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia marca uma virada estrutural na forma como empresas brasileiras precisarão lidar com sustentabilidade, mudanças climáticas e gestão de emissões.
O acordo não se limita à redução de tarifas. Ele redefine quem poderá competir, em quais condições e com quais evidências no acesso ao mercado europeu — um dos mais exigentes do mundo em termos ambientais e climáticos.
Neste contexto, inventários de GEE, planos de descarbonização e rastreabilidade deixam de ser boas práticas e passam a ser instrumentos comerciais obrigatórios.
1. Sustentabilidade deixa de ser diferencial e vira requisito de mercado
Até pouco tempo, sustentabilidade era vista como:
- reputação,
- marketing institucional,
- resposta voluntária a investidores.
Com o Acordo Mercosul–UE, isso muda radicalmente.
Hoje, empresas brasileiras que desejam exportar — ou fornecer para quem exporta — precisam comprovar objetivamente:
- como medem seus impactos,
- como gerenciam riscos climáticos,
- como reduzem emissões ao longo do tempo.
A lógica europeia é clara:
não internalizar impactos ambientais importados.
Ou seja, não basta que o produto seja competitivo em preço — ele precisa ser
ambientalmente rastreável e defensável.
Sustentabilidade passa a operar como barreira técnica de entrada, assim como normas sanitárias, técnicas ou de segurança.
2. Inventário de GEE passa a ser condição básica de permanência na cadeia
O inventário de emissões de GEE deixa de ser opcional porque:
- empresas europeias são obrigadas a reportar suas próprias emissões e as da cadeia de valor;
- fornecedores que não fornecem dados confiáveis geram risco regulatório e reputacional para seus clientes.
Na prática:
- se a empresa brasileira não mede, o cliente europeu estima;
- estimativas normalmente são conservadoras e desfavoráveis;
- isso impacta preço, contratos e continuidade do fornecimento.
Os padrões aceitos internacionalmente são:
- GHG Protocol, com Escopos 1, 2 e, cada vez mais, Escopo 3;
- ISO 14064, especialmente quando há auditoria ou exigência contratual.
Inventário bem estruturado vira proteção comercial, não apenas relatório ambiental.
3. Plano de descarbonização: medir não basta, é preciso demonstrar trajetória
Outro ponto central do acordo é que o mercado europeu não aceita neutralização sem redução.
Isso significa que as empresas precisam demonstrar:
- entendimento das suas principais fontes emissoras;
- ações concretas para reduzir emissões;
- metas e cronograma verificáveis.
É aqui que entram referências como:
- Science Based Targets initiative, que conecta metas corporativas à ciência climática;
- IFRS – IFRS S2, que integra clima à estratégia, riscos e finanças da empresa.
Na prática, compradores e investidores europeus querem responder a uma pergunta simples:
Essa empresa está se transformando ou apenas compensando? Empresas sem plano de transição climática claro perdem competitividade, mesmo que hoje ainda consigam vender.
4. Rastreabilidade socioambiental passa a ser uma exigência operacional
Um dos maiores impactos do acordo é o deslocamento da sustentabilidade:
- da área institucional
- para o núcleo operacional e de suprimentos
Empresas precisarão comprovar:
- origem das matérias-primas;
- ausência de desmatamento ilegal;
- gestão de riscos socioambientais na cadeia.
Isso afeta diretamente setores como:
- agroindústria e alimentos,
- papel e celulose,
- couro,
- mineração,
- bioenergia.
Mesmo empresas industriais “distantes da floresta” passam a ser cobradas, porque:
- riscos indiretos também contam;
- fornecedores de fornecedores entram no radar.
Sustentabilidade passa a ser gestão de cadeia de valor, não apenas de fábrica.
5. Créditos de carbono: menos marketing, mais estratégia
O Acordo Mercosul–UE reforça uma visão já consolidada na Europa:
- créditos de carbono não substituem redução;
- compensação só é aceita para emissões residuais;
- a qualidade do crédito é tão importante quanto o volume.
Referências como:
- Core Carbon Principles
- ICROA
passam a orientar decisões de compra e aceitação.
Para empresas brasileiras, isso traz dois efeitos:
- créditos de baixa integridade perdem espaço;
- projetos bem estruturados ganham valor estratégico real.
Crédito de carbono deixa de ser atalho e passa a ser complemento técnico de uma boa estratégia climática.
6. Sustentabilidade e clima entram definitivamente no radar financeiro
Por fim, o acordo amplia a integração entre:
- clima,
- risco financeiro,
- acesso a capital.
Empresas passam a ser avaliadas por:
- exposição a riscos climáticos físicos e regulatórios;
- capacidade de adaptação;
- coerência entre discurso e prática climática.
Isso afeta diretamente:
- crédito,
- seguros,
- valuation,
- decisões de investimento.
Sustentabilidade passa a impactar custo de capital, não apenas reputação.
Onde a UnCarbon apoia as empresas nesse novo cenário
A UnCarbon atua exatamente na interseção entre: regulação, mercado, clima e estratégia empresarial.
Apoiamos empresas brasileiras a:
- estruturar inventários de GEE robustos e auditáveis;
- desenvolver planos de descarbonização realistas e defensáveis;
- usar créditos de carbono de forma estratégica e segura;
- transformar sustentabilidade em argumento comercial e proteção de mercado.
Ponto de Vista
O Acordo Mercosul–União Europeia deixa uma mensagem clara:
Não basta produzir. É preciso comprovar.
Não basta compensar. É preciso reduzir.
Não basta declarar sustentabilidade. É preciso evidenciar.Empresas que se antecipam transformam sustentabilidade em
vantagem competitiva.
As que atrasam enfrentam
perda de mercado, contratos e valor.











